Por que ser Escoteiro?
O Escotismo é um grande jogo cheio de atividades interessantes, ao ar livre, que se desenvolve nos campos, florestas, nas montanhas, nos lagos, nos rios e mares, proporcionando aos jovens um meio de se tornarem capazes de servir a Deus, à Pátria e aos seus semelhantes, divertindo-se.
No Escotismo, o jovem encontrará oportunidade de satisfazer seus desejos de liberdade, de aventura e de fazer as coisas que lhe agradem, por suas próprias mãos, vivendo as façanhas dos grandes descobridores, colonizadores, caçadores e missionários, que tanto entusiasmo lhe despertam nessa idade.
O companheirismo, outro grande elo dos jovens, é praticado em grande escala; iniciando na pequena organização – a Patrulha -, com a qual tem o primeiro contato, espalha-se pelo mundo todo, pois que o Escotismo é a maior organização mundial de jovens, contando atualmente com milhões de membros espalhados por quase todos os países do mundo.
Os contatos regionais, nacionais e internacionais que o Escotismo proporciona representa uma grande força socializante, permitindo aos jovens conviver com outros de outras regiões, o que permite uma maior compreensão para a conquista da paz mundial.
Por meio de jogos, excursões, acampamentos, trabalhos manuais e o cumprimento de uma Lei e uma Promessa adequadas à idade do jovem, que lhe dizem “o que fazer” e não “o que não fazer”, é que leva a cabo o Escotismo a tarefa a que se propõe, que é a de complementar a educação que desejam dar o Lar, a Escola e a Igreja para a formação do bom cidadão.
O Escotismo trabalha levando em conta o ponto de vista do rapaz. Este não aprecia os códigos repisados de negativas. “Não faça” é o maior inimigo do educador, razão por que o Escotismo emprega sempre o “faça”.
Um dos pontos que merece especial atenção no Escotismo é o da idade. Baden-Powell, grande educador que foi, dedicou muito cuidado a esta parte. Assim, dividiu o estágio de adestramento de acordo com o desenvolvimento físico e mental das crianças.
Dos sete aos onze anos, a criança vive “do faz-de-conta”, razão porque Baden-Powell, estabeleceu para ela um adestramento baseado na atmosfera da jangal (floresta ), extraído do livro de Rudyard Kipling, “O Livro da Jangal”, cujo herói é um menino – o menino-lobo – criado entre os habitantes da floresta.
A vida da selva, o procedimento de seus habitantes, as suas proezas estão cheios de ensinamentos que os meninos gostam de viver. Por esta razão, o programa do “Lobismo” – seção do Escotismo destinada aos meninos de sete a onze anos – dá maior ênfase às histórias, dramatizações, brincadeiras, trabalhos manuais, etc., o que lhes inculca hábitos higiênicos, obediência, destreza física e mental, etc.
Ao atingir onze anos, início de uma nova fase psicológica da vida da criança, ingressa o jovem no Escotismo propriamente dito, onde são praticadas atividades mais condizentes com sua idade. Nesta fase, predomina o culto aos heróis, a tentação da aventura, a vontade de querer fazer as coisas por si próprio.
Aí encontra ele meios de pôr em prática estes seus desejos, ou seja, os feitos dos heróis que admira, a vida dos colonizadores, dos caçadores e mesmo de seres fantásticos ( Tarzã, por exemplo, que exercem sobre ele uma imensurável influência.
Estes meios são usados para incutir nos rapazes bons hábitos, desenvolver-lhes as habilidades mentais e físicas, bem como as qualidades morais. E isto de uma maneira ativa, permitindo-lhe e estimulando-o a que faça as coisas por si mesmo.
Por meio dos acampamentos, excursões e jogos desenvolve-se-lhe o físico, melhorando a saúde; pelos trabalhos manuais que o rapaz executa para tornar cômoda a vida no campo, desenvolvem-se-lhe a habilidade manual, as faculdades sensoriais e o espírito inventivo.
O contato com a natureza dá-lhe oportunidade de consolidar e aumentar os conhecimentos adquiridos na escola, sobre várias matérias, tais como botânica, mineralogia, zoologia, etc., além de proporcionar a possibilidade de sentir a grandeza da obra do Criador, que lhe dará melhores possibilidades de compreender a religião.
Ao Escoteiro se sugere o amor positivo traduzido pela ação e não somente como um estado de espírito. Um Escoteiro não só penaliza com os males alheios, procura minorá-los, fazendo algo.
A presença da Bandeira Nacional em suas atividades, a prática de seu culto, o respeito a propriedade alheia – pública ou particular -, colaboração à conservação da flora, da fauna e do solo, a boa ação diária são um bom início na prática do patriotismo ativo.
Ao ingressar no Escotismo o rapaz precisa demonstrar que o faz de livre e espontânea vontade e que está disposto a submeter-se às suas regras. Essas regras são a Lei e a Promessa. A boa vontade e o esforço são testados ao satisfazer umas poucas provas.
Satisfeitas estas provas, é então recebido na Grande Fraternidade Escoteira Mundial, fazendo a sua Promessa. Vê-se, pois, que se exige dele que faça uma promessa “de fazer o melhor possível” e não um juramento inexeqüível, por não estar à altura de sua compreensão. Isto é uma maneira de oferecer-lhe uma oportunidade de corrigir suas falhas e melhorar seu procedimento.
Na prática das atividades escoteiras são lhe oferecidas ocasiões em que deve por à prova sua honra, a lealdade, o cavalheirismo, a coragem, o respeito a propriedade e direitos alheios com o propósito de treinar-lhe o caráter.
Um dos grandes segredos do êxito no Escotismo é depositar confiança no jovem. Desde seu ingresso no Movimento, ele é solicitado a assumir responsabilidades. Para que um acampamento saia a contento é preciso que a comida seja boa, que as barracas estejam em condições de oferecer abrigo, que o leito seja confortável, etc. E para isto eles são treinados, assumindo cada um deles o encargo de um determinado setor.
Utilizando em grande escala o jogo – grande atrativo para os jovens – estamos fazendo-os aprender a obedecer, a aceitar as decisões do árbitro, a cultivar o espírito cavalheiresco, a previnir-se contra acidentes, etc. E esses treinos habitá-los-ão para a vida futura, como adultos, quando tiverem que exercerem funções na sociedade organizada, como cidadãos aptos e honestos.
O Escotismo já passou por duríssimas provas nas quais mostraram os jovens a utilidade do treinamento escoteiro, nos diversos campos em que atuaram. O Escotismo genuíno não é militarista, nem ministra treinamento militar, porém é patriótico e prepara os jovens para a boa cidadania. “O uniforme, a Patrulha e a Tropa não são ordem guerreira, servem para conservar a unidade, a harmonia e o ritmo do espírito que os rapazes adquirem no Escotismo”.
Escotismo faz-se no campo, onde o jovem tem oportunidade de aprender alguma coisa útil, treinando o caráter, de maneira agradável. As exibições em desfiles pelas ruas, ao som de cacofônicos tambores, as marchas inúteis são frutos de chefes improvisados, sem o conhecimento da verdadeira doutrina de Lord Baden-Powell, of Gilwell, o criador do Escotismo.
O Escotismo tem um propósito: melhorar as qualidades dos futuros cidadãos, desenvolver-lhes, de maneira agradável, o intelecto, o espírito e o físico.
Por que ser Escoteiro?, essa pergunta vem bem a calhar, principalmente nos dias de hoje, onde vemos a maioria dos jovens sem rumo, sem objetivo na vida, perdidos numa sociedade consumista, e esses mesmos jovens, por não receberem treinamento ou orientação adequadas, acabam por se tornarem presas fáceis de traficantes e pessoas inescrupulosas.